Há aproximadamente três anos – e no período de um ano, entrei em uma rotina diária
no trajeto Pampulha-Savassi-Pampulha. Saía de casa por volta das 6:00 e voltava
no final da tarde. Apesar do horário, o trânsito era quase sempre carregado
fazendo com que a viagem fosse longa e chata.
Certo dia lembrei que o celular possuia câmera, que naqueles horários a luz
era interessante e comecei, para passar o tempo nos engarrafamentos e sinais
vermelhos, a série Por trás do Parabrisa.
Abaixo, uma amostra daquilo que foi produzido:
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terça-feira, 26 de agosto de 2014
Por trás do parabrisa
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terça-feira, 8 de abril de 2014
Menu de viagem: Viena, Áustria
Existe um aspecto nas viagens que me fascinam: descobrir detalhes peculiares
e pequenos tesouros nos lugares que visitamos. Muito além das marcos turísticos
e fotos de cartão-postal, existe uma infinidade de sensações, sons, cheiros e
gostos a experimentar. Eu gosto de me esgueirar por ruelas, ver prédios famosos
pela parte de trás, ir a feiras, supermercados, ver as pessoas andando em
praças... E, em meio a essa gama de possibilidades, uma das minhas atividades
favoritas é descobrir lugares interessantes para comer. Não me atraem muito os
lugares cinco estrelas apontados pelos guias de viagem, cheios de turistas,
caros e nem sempre tão bons assim. Eu gosto de observar onde as pessoas locais
estão indo, puxar papo com taxistas para pegar dicas ou com uma senhora sentada
ao seu lado no ônibus. Com um pouco de tempo e conversa, as pessoas em geral se
abrem, passando a te ver como uma visita na casa deles. Outro método é sair
caminhando a esmo, observando os restaurantes, as pessoas que estão lá e vendo
se estão à vontade e se parecem felizes.
Bom, pode não dar nada certo e ser uma grande furada, mas, algumas vezes, pode ser deliciosamente surpreendente. Você pode aprender coisas que nunca seria capaz se não ousar sair do programa estabelecido pelo pacote turístico. E, além do prazer em descobrir e comer bem, também gosto de chegar de volta em casa e tentar preparar novamente o que experimentei. De forma bem intuitiva, adaptada, sem receita. Somente baseado nas lembranças de sabores, cores e texturas, tentar recriar o momento em casa.
E é sobre esse meu prazer que gostaria de falar nesse blog. Vou contar para vocês sobre os lugares que experimentei (os bens sucedidos, pelo menos) e as receitas que fiz em casa, tentando reproduzir o que descobri. A ideia é inspirá-los a também sentir o que senti na ocasião e dar alguma dica de sabores diferentes e restaurantes que valem a pena ser conhecidos, se vocês estiverem passando por essas cidades.
E na estreia, um prato de massa bem simples que experimentei em Viena - Áustria...
Dentre as que conheço, talvez Viena seja a cidade que mais gosto. Talvez seja porque gosto muito de história, sinto uma conexão especial com ela. Andar naquelas ruazinhas do centro é mágico... é realmente possível sentir o passado presente.
Eu não gosto da comida típica da Áustria, muita fritura, vinagre, salsicha. Wiener schnitzel, um bife de vitela ou porco à milanesa, é muito bom, mas pesado demais para comer sempre. Naquela noite, eu estava à procura de algo mais leve e gostoso. Nesses casos, minha escolha quase sempre são as massas. Permite uma variedade quase infinita de combinações de ingredientes e adoro achar ideias novas.
Então, lá fui eu caminhar pelas ruas sinuosas nos arredores da Karntner Strasse, à procura de um lugar interessante. E me chamou a atenção um restaurante italiano bem característico na Ballgasse, chamado Zimolo. O restaurante é bem charmoso, gostei bastante do ambiente, pessoal simpático. Escolhi um tortelline com recheio de queijo na manteiga com salvia fresca e ricota defumada. Nunca tinha comido salvia assim, em tanta evidência. Sempre era como um tempero distante em meio a muitos outros sabores. Mas me surpreendi com seu sabor refrescante.
Para fazer em casa, é bem fácil. Comprei um raviolli fresco com recheio de cogumelos, achei que iria combinar bem com a manteiga e a salvia. É preciso tomar cuidado ao cozinhar para não passar do ponto, já que a massa fresca cozinha mais rápido do que a seca. Derreta uma quantidade suficiente de manteiga (usei manteiga com sal) para a quantidade de massa que estiver preparando. Quando a massa estiver pronta, tempere a manteiga com salvia fresca finamente cortada e um pouco de pimenta do reino. Misture o molho na massa, com delicadeza para não soltar o recheio, monte os pratos e salpique com ricota defumada ralada no ralo grosso. Uma delícia!
Bom, pode não dar nada certo e ser uma grande furada, mas, algumas vezes, pode ser deliciosamente surpreendente. Você pode aprender coisas que nunca seria capaz se não ousar sair do programa estabelecido pelo pacote turístico. E, além do prazer em descobrir e comer bem, também gosto de chegar de volta em casa e tentar preparar novamente o que experimentei. De forma bem intuitiva, adaptada, sem receita. Somente baseado nas lembranças de sabores, cores e texturas, tentar recriar o momento em casa.
E é sobre esse meu prazer que gostaria de falar nesse blog. Vou contar para vocês sobre os lugares que experimentei (os bens sucedidos, pelo menos) e as receitas que fiz em casa, tentando reproduzir o que descobri. A ideia é inspirá-los a também sentir o que senti na ocasião e dar alguma dica de sabores diferentes e restaurantes que valem a pena ser conhecidos, se vocês estiverem passando por essas cidades.
E na estreia, um prato de massa bem simples que experimentei em Viena - Áustria...
Dentre as que conheço, talvez Viena seja a cidade que mais gosto. Talvez seja porque gosto muito de história, sinto uma conexão especial com ela. Andar naquelas ruazinhas do centro é mágico... é realmente possível sentir o passado presente.
Eu não gosto da comida típica da Áustria, muita fritura, vinagre, salsicha. Wiener schnitzel, um bife de vitela ou porco à milanesa, é muito bom, mas pesado demais para comer sempre. Naquela noite, eu estava à procura de algo mais leve e gostoso. Nesses casos, minha escolha quase sempre são as massas. Permite uma variedade quase infinita de combinações de ingredientes e adoro achar ideias novas.
Então, lá fui eu caminhar pelas ruas sinuosas nos arredores da Karntner Strasse, à procura de um lugar interessante. E me chamou a atenção um restaurante italiano bem característico na Ballgasse, chamado Zimolo. O restaurante é bem charmoso, gostei bastante do ambiente, pessoal simpático. Escolhi um tortelline com recheio de queijo na manteiga com salvia fresca e ricota defumada. Nunca tinha comido salvia assim, em tanta evidência. Sempre era como um tempero distante em meio a muitos outros sabores. Mas me surpreendi com seu sabor refrescante.
Para fazer em casa, é bem fácil. Comprei um raviolli fresco com recheio de cogumelos, achei que iria combinar bem com a manteiga e a salvia. É preciso tomar cuidado ao cozinhar para não passar do ponto, já que a massa fresca cozinha mais rápido do que a seca. Derreta uma quantidade suficiente de manteiga (usei manteiga com sal) para a quantidade de massa que estiver preparando. Quando a massa estiver pronta, tempere a manteiga com salvia fresca finamente cortada e um pouco de pimenta do reino. Misture o molho na massa, com delicadeza para não soltar o recheio, monte os pratos e salpique com ricota defumada ralada no ralo grosso. Uma delícia!
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Em terras “uruguajas”
Teatro Solís
Montevideo sempre me chamou a atenção pela escassez de comentários. Normalmente, lugares não badalados são bem originais e alheios às breguices globalizadas - claro, como tudo na vida, existem exceções em ambos os casos. Não me decepcionei. A capital uruguaia ressaltou em mim três aspectos: a simpatia sincera dos uruguaios, a originalidade nas coisas e a comida/ bebida.Para mim, a melhor maneira de conhecer os lugares é caminhando e, nesse quesito, Montevideo é perfeita. Como tem uma topografia favorável é possível caminhar durante horas tranquilamente. Aliás, o melhor que se tem a fazer por lá é caminhar pelo centro antigo e pelos bairros adjacentes. A orla do Rio de La Plata, chamada de Rambla, é também um ótimo lugar para ser curtido à pé, são quilômetros de calçadão bem cuidado. No caso de chuva, algo bem comum no inverno, o transporte público é uma opção melhor até que o taxi. Desde o primeiro dia em que chegamos na cidade nos sentimos à vontade para caminhar e usar o ônibus. Nas poucas vezes que usamos o taxi as experiências não foram muito agradáveis. Não fomos insultados nem nada, acho que foi mais uma sensação de desconforto que não sei explicar.


Cenas do Barrio Sur
Ficamos hospedados no simpático Barrio Sur, a uns 2km da Ciudad Vieja. Inicialmente de ônibus e em um dia chuvoso, fomos aos poucos nos familiarizando com o local. Em poucos minutos estávamos na Av. 18 de Julio, a principal do centro. Depois disso foi percorrer o centro caminhando sob uma chuva que, de tão insistente e fria, chegava a ser irritante. Para não perder tempo, aproveitamos o tempo chuvoso para procurar uma locadora de carros para uma viagem que faríamos ao interior e olhar outras coisas menos importantes. Resolvida essa questão seguimos ziguezagueando pelo centro até a parte mais antiga, que começa próximo à Plaza Independencia. Como o tempo não estava melhorando, resolvemos comprar guarda-chuvas, pois usar jaqueta impermeável e capuz por muito tempo é bem desconfortável. Em uma das primeiras vielas que entramos encontramos uma lojinha bem especial que não fotografei. No dia a chuva não permitia, mas mesmo passando depois pelo local, optei por não registrar para que ficasse apenas na memória e na curiosidade de quem não a conhece. A Casa del Paraguas, Peatonal Bacacay 1322, é uma viagem à 1940, quando a loja foi fundada. Tudo original e bem conservado desde a fachada até os móveis europeus e cartazes de propaganda. A loja pertence à família da senhora que nos atendeu, uma especialista no assunto. Nos deu todas as instruções relativas de como se portar com chuva forte, rajadas de vento nas esquinas e praças etc. No final das contas não saímos de lá com o melhor guarda-chuvas, segundo ela os alemães, mas contentes de saber que o mundo não é feito apenas de “xópis”.
Centro de Montevideo
Um pouco mais protegidos e prontos para enfrentar os ventos laterais, seguimos debaixo de chuva até o Mercado del Puerto, construído em 1868. Acredito ter sido esse o único momento de desapontamento da visita. Por falta de informação da nossa parte, fomos pensando que se tratava de um mercado em funcionamento com tudo que se tem direito. Na verdade é um ponto turístico com lojinhas e um amontoado de restaurantes, ao meu ver, do tipo pega turista – não é atoa que é o local é o ‘top 1’ dos sites de viagem... O prédio está mal cuidado e a maneira como os restaurantes foram colocados dentro dele acabou de matá-lo. Tudo muito amontoado e excessivo ao ponto de esconder as características do prédio. Mal se vê o centenário relógio que, assim como a estrutura do prédio, veio da Inglaterra. Uma pena. Mais tarde, ficamos sabendo por uma amiga uruguaia que os montevideanos também frequentam o local. Mas, enfim, foi essa a impressão que o local me passou. A região próxima ao mercado está passando por uma requalificação urbana. Alguns prédios comerciais antigos estão sendo convertidos em apartamentos e existem algumas galerias de arte e lojas com peças decorativas com desenho de boa qualidade. Acredito que no verão deve ser um local bem badalado.Como não nos simpatizamos com os restaurantes do mercado, continuamos nossa caminhada na Ciudad Vieja e ali perto encontramos um restaurante modesto onde acreditamos termos feito nossa melhor refeição no período em que lá estivemos. Es Mercat, calle Colón 1550. Almoçamos lá em duas ocasiões. O restaurante é pequeno e pelo que notamos é frequentado principalmente pelas pessoas que trabalham na região, onde pudemos notar vários escritórios de despachantes ligados ao porto que fica a uns dois quarteirões dali. No primeiro dia que almoçamos haviam duas pessoas trabalhando: o cozinheiro e o garçom. Além deles, havia apenas um par de clientes. Um momento interessante nesse dia foi ver um senhor entrar com uma caixa de madeira nas mãos e depois poder constatar que se tratava de um engraxate atendendo um dos dois clientes que tomava um café após o almoço. O gesto foi tão natural que acredito ser parte do cotidiano local. Mais uma vez me veio a sensação da cidade ser um museu vivo. Na segunda vez em que fomos ao Es Mercat, um domingo, o ambiente era o mesmo. Um pouco mais movimentado, mas dava para constatar que os clientes eram habitués. Nesse dia, apenas o então cozinheiro – mais para chef, trabalhava. Além do seu serviço, fazia o trabalho de garçom e caixa. Tudo sem perder o bom humor e mantendo um atendimento de dar inveja em muito lugar repleto de atendentes. O melhor disso tudo é o preço: cem Reais para 3 adultos, por uma ótima comida – prato a la carte, sobremesa individual e vinho, inclusa a gorjeta.
Centro de Montevideo
Rambla
Se o Mercado del Puerto decepcionou pelo fato de não ser um mercado de fato, o mesmo não se pode dizer da feira de rua Tristan Navaja, praticamente um mercado a céu aberto. Essa feira acontece aos domingos e se estende por vários quarteirões onde é possível encontrar, se não de tudo, muita coisa. Os mais próximos a mim sabem que não sou chegado em lugares com muita gente. Dessa vez me muni de coragem e paciência e resolvi enfrentar a muvuca. Acho que foi pela curiosidade de ver o desdobramento desse espaço que, por mais que andássemos, parecia não ter fim. Um ponto de referência para encontrar a feira é a rua Dr. Tristan Najava esquina com avenida 18 de Julio. Os quarteirões mais próximos à 18 de Julio são mais voltados ao comércio de hortifrúti e alimentos. Pouco a pouco a miscelânea vai tomando conta e no miolo surgem alguns setores mais especializados em artigos como livros e revistas, móveis, tecidos, roupas, ferramentas e antiguidades em geral – de tampinha de garrafa a peça de avião. Difícil elencar. Como em todo lugar, há porcarias e os itens de boa qualidade tem seu preço. Mas, procurando, é difícil sair de lá sem algo que lhe agrade e que não custe uma fortuna. Consegui comprar por R$15,00 uma câmera fotográfica da década de 80 com um sistema em que o filme é colocado em uma espécie de disco-cartucho. A câmera é uma Kodak disc 8000 e o nome do sistema é disc film. Pra mim foi novidade. Da hora em que comprei até o momento de escrever esse parágrafo, pensei que fosse uma câmera digital com gravação em mini cd. Mas a surpresa de ser filme tornou a aquisição ainda mais interessante.
Feira Tristan Navaja
Quando vamos em novos lugares procuramos conhecer o lado interiorano também, saber como são as coisas fora das cidades ou pontos principais. Nessa ocasião fizemos isso de duas formas: alugando um carro e de ônibus. Na primeira empreitada alugamos um carro por dois dias. Nossa intenção era visitar algumas vinícolas, colônias produtoras de queijo e procurar algum lugar interessante. No primeiro dia fomos rumo às vinícolas. Na verdade, fomos em apenas uma. Procurávamos algo fora do roteiro “ônibus carregados de turistas” e fomos sem destino certo por algumas estradas que nos haviam falado. Quando vimos uma placa indicativa de vinhedos para uma direção supostamente pouco atrativa, seguimos na direção e chegamos na bodega Casa Filgueira. Entramos na fazenda e fomos recepcionados por um dupla de cachorros gigantes, porém mansos, e um senhor bem simpático que imagino ser o administrador. Sua esposa nos mostrou com muito zelo toda a parte de produção e local onde armazenam os melhores vinhos e tal. A período de colheita é no verão, então a vinícola estava praticamente vazia. Apenas duas pessoas trabalhando no engarrafamento e outra na manutenção dos equipamentos. Compramos algumas garrafas de Tannat e, papo vai papo vem, descobrimos que os atuais proprietários da vinícola são brasileiros de Belo Horizonte que compraram a propriedade há um ano. Saindo da Casa Filgueira passamos em uma revenda da bodega Castillho Viejo e fomos em direção aos queijos. À título de informação, no Uruguai a tolerância para dirigir e beber é zero… nessa, quem vai de van e ônibus leva vantagem. Por outro lado, não tem o contato mais próximo com as pessoas da forma que tivemos, então, no final das contas, o sacrifício é válido. Depois de rodar bastante por estradas vicinais chegamos em Nueva Helvecia, Colonia Suiza e Colonia Valdense. Por incrível que pareça não encontramos nenhum lugar específico para fazer degustação de queijos, como nas vinícolas. Por outro lado, perguntando um e outro, chegamos em uma venda local de queijos. A moça muito simpática nos ofereceu algumas fatias para experimentar e no final compramos um pedaço de um tipo parmesão, muito bom. Seguindo em frente, já voltando para Montevideo, em um golpe de vista vimos uma placa de uma residência dizendo: “quesos e fiambres”… fizemos meia volta e fomos lá. Essas situações inesperadas são sempre boas. Nessa pequena venda, na verdade um cômodo da casa, nos deparamos com outros tantos queijos e embutidos. A senhora fez questão que experimentássemos outros queijos e salames, além de um suco de laranja produzidos por eles. No final das contas compramos uma coppa, tipo de salame italiano mais curado. Não trouxemos mais com receio de confiscarem na alfândega. Nesse dia rodados aproximadamente 450 km pelo interior.
Videira de Tannat o.O
De volta à Montevideo, seguimos no dia seguinte para o “lugar interessante”. A dica foi dada por um rapaz do posto de informação turística quando o indagamos sobre um lugar que não era turístico mas que ele, não como profissional de turismo, achava interessante. Para nossa surpresa ouvimos o nome Minas, uma cidadezinha em meio aos poucos morros que o Uruguai possui e que fica a aproximadamente 130 km ao nordeste de Montevideo. Nesse dia, debaixo de chuva forte, seguimos para Minas. Pra ser honesto, por causa da chuva, vimos pouca coisa. A cidade é bem cuidada e rodeada por morros. Em termos de paisagem parece ser muito bonita. Quem deu esse nome ao lugar deve ter vindo pelas bandas de cá. Rodamos um pouco por lá e depois de comprar alguns alfajores, hechos en Minas, seguimos para, acreditem, a badalada Punta del Este… A pequena estrada que vai de Minas à Punta del Este deve ser linda, pelo menos a moça com quem conversamos garantiu… pela topografia do terreno e o sobe e desce, deve ser muito bonita mesmo. Com chuva e neblina não foi possível constatar muita coisa, mas o pouco que vimos realmente deixou o desejo de voltar em um período sem chuva. Para nossa graça, Punta del Este – me recuso a escrever apenas Punta como seus bossais frequentadores, parecia uma cidade fantasma. Não fosse mal frequentado, seria um lugar e tanto para ser visitado no verão. O que se vê por ali é um amontoado de apartamentos e condomínios à beira mar. Especulação imobiliária na veia. Rodamos uma meia hora pela orla e, sob chuva, retornamos à Montevideo já no final da tarde. Já dirigi em vários países e posso dizer que essa foi a minha experiência mais tranquila em trânsito, seja na cidade que na estrada. Em Montevideo cheguei a rodar no horário de pico pela manhã e pela tarde, com e sem chuva. Ninguém buzina, não tem motoboy, as pessoas dão preferência e respeitam seta. Fiquei surpreso.
Centro Montevideo - Av. 18 Julio
Uma cidadezinha bem interessante para visitar é Colonia del Sacramento, que fica aproximadamente a 180 km ao noroeste de Montevideo. A pequena cidade histórica, declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, foi disputada por anos entre portugueses e espanhóis. As vielas do bairro histórico possuem um traçado que acompanha a topografia local e destoa do traçado ortogonal da parte mais nova da cidade, cuja influência espanhola é dominante. Fruto das diferenças entre os colonizadores, o conjunto arquitetônico abriga exemplares provenientes das duas culturas e forma uma paisagem urbana rica em detalhes e surpresas. Assim como em outros locais que visitamos, os veículos e motocicletas antigas são elementos fundidos na paisagem e, no meu entendimento, deveriam ser igualmente tombados. Ainda existem residências no Barrio Histórico, mas a maioria das edificações foram convertidas em lojas, restaurantes, bares e pousadas. Como fomos de ônibus, escolhemos uma pousada no caminho entre a rodoviária e o Barrio Histórico. Dado o tamanho dessa parte da cidade, esse meio termo significa 10 minutos de caminhada em cada direção. Ao lado da rodoviária fica a estação de transporte pluvial de passageiros. Existe uma rota frequênte entre Colonia e Buenos Aires. Para quem estiver na Argentina, Colonia acaba sendo uma boa opção de passeio por esse meio.
Típica viela do Barrio Histórico
Barrio Histórico - Colonia del Sacramento
Uma dica para quem tem carteira de moto é alugar uma “lambretinha” para ir em lugares mais distantes do centro como a Plaza de Toros. Esse antigo local para touradas está desativado. Segundo nos informou um senhor, após sua inauguração em 1910, o complexo funcionou como espaço para touradas por apenas 2 anos, pois o governo do Uruguai proibiu as touradas ou, nas palavras do senhor: matar os animais por maldade. A construção está desabando e é proibido entrar no local. Fomos informados que há intenção de recuperá-lo para o desenvolvimento de outras atividades. Seria interessante mesmo, pois é praticamente um estádio para 10 mil pessoas.
Plaza de Toros – Colonia del Sacramento
Restaurante e bares em Colonia são muitos. No dia em que chegamos almoçamos em um que fica bem próximo ao antigo portão da muralha que circunda parte do centro histórico. Pequeno, decoração aconchegante, comida muito boa, vinho, jazz etc., é o La Florida. É mantido por um simpático casal de argentinos e só abre para almoço. Segundos eles, estão velhos demais para trabalhar a noite e gostam de curtir a vida também. Estão certíssimos. A noite não tivemos a mesma sorte, não vou dizer que foi ruim, mas ficamos mal acostumados com tanta comida boa que o nível de exigência ficou um pouco mais elevado. Isso não quer dizer que estávamos frequentando restaurantes caros, mas que o nível dos restaurantes médios é muito bom.
Plaza Mayor com o farol de 1857 ao fundo
Colonia del Sacramento – aspectos gerais
A parte histórica de Colonia é bem pequena, com pouco tempo é possível visitá-la e curtir um pouco. Dormimos apenas uma noite, mas acho que duas teria sido melhor. Com um pouco mais de tempo a gente sempre consegue encontrar cantos interessantes como a taberna com degustação de queijos, cujo sugestivo nome é: Buen Suspiro, descoberta poucas horas antes de irmos embora e logo depois de termos almoçado... O lado bom é que virou um pretexto para retornar, então ficará para próxima.
Buen Suspiro – Colonia del Sacramento
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segunda-feira, 7 de junho de 2010
Cidade Luz ou Cidade Diversidade?

Confesso que não fiquei muito entusiasmado com a proposta de ir para Paris. Pela abstinência de fazer uma longa caminhada ou subir um morrinho que seja, minha cabeça estava mais voltada para conhecer as montanhas rochosas de Alberta e British Columbia. Nunca pensei que sentiria tanta falta desses acidentes geográficos, inexistentes nessa parte do Canadá. Como a última palavra em uma casa é sempre do marido: “sim senhora”, fomos para terra do Obelix e companhia.
Para mim, as imagens mais marcantes de Paris foram as chaminés (bairro Charenton-le-Pont)
Villa Savoye (1928)
Paisagem típica de Poissy
Centro Pompidou visto a partir da catedral de Notre Dame
Rua Mouffetard: senhor tocando um realejo e crianças dançando
Rua Mouffetard: peixaria
Chez Gladinez e a fila de espera
Um pouco mais de chaminés (bairro Montmartre)
Outro mito derrubado, pelo menos na nossa curta experiência, foi o da antipatia dos parisienses. Não sabemos nada do idioma francês e não tivemos o menor problema com as pessoas. Mesmo os que não sabiam inglês foram prestativos e nos ajudaram naquilo que precisávamos. No final das contas conseguimos nos comunicar sem problema. A frustração maior foi a de não saber francês e poder interagir mais com as pessoas, principalmente nos mercados e comércio local, como a padaria e o bar que ficavam próximos ao nosso hotel.
Esquina ao lado do Centro Pompidou
Vista posterior da catedral de Notre Dame
Vista a partir do Centro Pompidou
Ao fundo, La Defense vista do Arco do Triunfo
Olhos biônicos da fachada do Instituto do Mundo Árabe
Loja de especiarias e artigos diversos no bairro Le Marais
De volta aos cheiros e sabores, pode-se dizer que caminhar pelas ruas dos bairros Le Marais, Montmartre, Batignolles ou Bellevile é ter a certeza de que a cada esquina ou quateirão haverá uma surpresa. Sair do miolo da La Cité e encontrar os parisienses em seu cotidiano é algo único. Tudo aquilo que se estuda em planejamento urbano está ali, na sua cara. Prova viva de que comércio local funciona, as pessoas são mais alegres, dominam a rua e andam com a baguete debaixo do braço… por que não? Essas áreas fora do burburinho turístico e do corre-corre do centrão são ótimas para um passeio desavisado e relaxante. Como nosso tempo era relativamente curto, não deu para sentar em um dos tantos jardins instalados em vielas para pedestres, usadas para “cortar caminho” de uma rua para outra. Esse tipo de lugar combina bem com o ócio. Acredito que em uma próxima visita exploraremos mais esse tipo de prazer que é oferecido em vários lugares. Nada de museus ou exposições, apenas caminhar e morgar de olhos abertos. Alguns desses bairros tradicionais, como o Le Marais, saem completamente dessa visão bucólica. Talvez ali seja o que tem de melhor em termos de diversidade. É um sem-número de cafés, bistrôs, padarias, boates, brechós, livrarias, atêlies diversos, pequenos comércios, lambretas e gente de todo tipo. Impossível ficar com os olhos parados, muita coisa para absorver.
Rua no bairro Le Marais
Rua do bairro Quartier Latin
Encontro de gerações no Parque de La Villette
Parque La Villette: passarelas e canal. Em vermelho, ao longo do canal, algumas folies
Pirâmide do Louvre: embora seja bela, é um forninho de assar turista
Eis o interior do Louvre - peguei pesado, pois a sala da Mona Lisa é mais visitada
Haja escada para tanta torre!
Assistindo hip-hope ao pôr do sol
Estacionamento do sistema Vélib
Detalhe do interior da Notre Dame
Mesmo com o glamour, não deixa de ser cidade grande
Cobertura art nouveau da entrada de uma estação de metrô
Calmaria entre os bairros Montmartre e Batignolles
Moinho no bairro Montmartre
E para finalizar: mais chaminés :) (bairro Charenton-le-Pont)
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